Este capítulo faz parte do livro “Psicologia Escolar, Diversidade e Inclusão”, que além das contribuições teóricas, metodológicas e práticas para estudos e ações, representa o compromisso do GT de Psicologia Escolar da ANPEPP em desenvolver e consolidar a área como campo científico de produção de conhecimento, pesquisa e intervenção, caracterizada pela autonomia crítica, pluralidade, diversidade e complexidade.
No texto é discutido como a língua se torna uma chave de pertencimento e de acesso a direitos para pessoas em situação de refúgio no país. Partindo de dados que evidenciam o crescimento do refúgio no Brasil e do amparo legal existente, o texto destaca um desafio concreto e cotidiano: a barreira linguística limita a obtenção de documentos, a inserção no trabalho, a continuidade dos estudos e a própria circulação na vida social.
Ancorado na Psicologia Histórico-Cultural e no diálogo com a Psicologia Escolar Crítica, o capítulo apresenta um recorte de pesquisa qualitativa em formato de pesquisa-intervenção, realizada com três adultos venezuelanos acolhidos em uma ONG na cidade de São Paulo, com entrevistas mediadas por materialidades artísticas.
Os relatos evidenciam sofrimento, desencontros e exclusões produzidas pela falta de domínio do português — inclusive em situações burocráticas e no trabalho —, ao mesmo tempo em que apontam a aprendizagem da língua como caminho para reconstruir vínculos, autonomia e projetos de vida.
Ao final, defende-se que a Psicologia Escolar pode fortalecer espaços dialógicos e práticas inclusivas que envolvam tanto quem chega quanto quem acolhe, reconhecendo a linguagem como mediação central para desenvolvimento e participação social.
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